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Feira de Sopas e Doces em S. Martinho deliciou visitantes
ÂMBITO REGIONAL - quarta-feira, 27 de Maio de 2009 09:56
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A sopa de peixe, sopa à lavrador, sopa de rabo de boi, sopa da pedra e a sopa de galinha foram algumas das sopas apreciadas na Feira de Sopas e Doces, que teve lugar no domingo, em São Martinho da Cortiça, freguesia do concelho de Arganil, onde não faltaram também inúmeros doces tradicionais, desde os coscoréis, arroz doce, tigelada, pudins e bolos variados. Este ano, a grande novidade desta iniciativa, que contou com uma nova organização do espaço e que foi promovida pela Associação Juvenil Projecto Radical, foi a presença da localidade de Sail que confeccionou a sopa de Capão à Quinta do Outeiro.
“Além das outras seis localidades que participavam, Sail juntou-se à iniciativa”, disse ao RCA NOTICIAS a presidente de direcção da Associação Juvenil Projecto Radical, lembrando que a confecção das sopas, doces e salguinhos, esteve a cargo das colectividades de Cortiça, Fronhas, Mucelão, Pombeiras, Sobreira, Urgueira e Sail. No ano passado, realizou-se um concurso para a sopa mais vendida, o que não aconteceu nesta sétima edição da Feira de Sopas e Doces, uma vez que “entendemos que não era justo porque todas foram apreciadas pelos seus visitantes”, sustentou Regina Pinto.
Segundo a organização, este ano, “por sugestão das edições anteriores”, foram vendidos também salgadinhos “para quem não for apreciador dos doces”. Satisfeita com a afluência das pessoas a este evento, Regina Pinto salientou que só foi possível a sua realização com o apoio da Câmara Municipal deArganil e da junta de freguesia de São Martinho da Cortiça, entidades responsáveis pela parte logística. As receitas revertem a favor das próprias localidades representadas que canalizam estas verbas para a realização de algumas obras.
Refira-se que durante a tarde houve também animação musical, a cargo da Tuna Cantares de Côja, Tuna de São Martinho da Cortiça e Grupo Folclórico da Região de Arganil. De acordo com a presidente da Associação Juvenil, “todos os anos tentamos alterar os grupos, sendo que a única que se matém é a Tuna de S. Martinho porque é a residente”. Relativamente à sopa mais apreciada, “se olharmos a edição anterior, foi a sopa da pedra”, recordou Regina Pinto, explicando que “ao final do dia é que fazemos as contas”.
Realçando que, para além de promover a gastronomia, este evento visa “fomentar o espírito de companheirismo entre as várias associações da freguesia, a dirigente da Projecto Radical explicou que Sail “já tinha demonstrado interesse em participar mas por motivos de constrangimentos da data não aconteceu”. No entanto, “faltam ainda muitas localidades da freguesia”, lamentou, esclarecendo que só participam as localidades “com Comissões de Melhoramentos registadas e em actividade”.
Nesta ocasião, Regina Pinto assegurou que a Feira de Sopas e Doces é uma iniciativa para continuar, até porque “tem havido uma evolução edição após edição” e “é um evento conseguido em termos de participação das pessoas e de espírito de proximidade entre as diversas colectividades”. Entretanto, a Associação Juvenil ainda vai promover várias actividades ao longo do ano, tendo já agendadas as “Noites do Adro”, que à semelhança do que aconteceu nos anos anteriores, consistem na promoção de encontros musicais, durante o verão, junto à Igreja Matriz.
Em declarações ao RCA NOTICIAS, Maria Madalena Portugal, uma das representantes da tasquinha do Sail, contou que só agora a União Recreativa Sailense se fez representar nesta Feira de Sopas e Doces porque durante uns anos “andou um pouco adormecida” e agora, desde que também lhe foi cedido um espaço para a sua sede, está a reiniciar a sua actividade. “A sopa que trazemos é a de Capão à Quinta do Outeiro”, referiu, explicando que os ingredientes desta sopa resultaram do palpite de várias pessoas, sendo confeccionada, pelas pessoas da aldeia, com “galinha caseira, feijão branco, batata, cenoura, alho francês, ervilhas e ovos”. Quanto aos doces, Sail levou vários, desde o pão de ló, bolo de ananás, tigelada, arroz doce, pudim de ovos, entre outros. Fazendo um balanço positivo desta iniciativa, a presidente da Assembleia geral da União Recreativa Sailense contou que pretendem estar presentes nas próximas edições e com as verbas deste evento “vamos tentar pagar obras que já fizemos na sede”.
Orgulhoso desta iniciativa estava também o presidente da junta de freguesia de São Martinho da Cortiça, verificando que “está a crescer de ano para ano”. “Este ano duplicámos o espaço disponível para as mesas e mesmo assim tornou-se pequeno”, frisou, satisfeito porque “o movimento associativo da freguesia está com força”. Considerando que “o espírito bairrista das aldeias ajuda muito a engrandecer a freguesia”, Rui Franco enalteceu também a parceria que se tem desenvolvido entre a junta de freguesia e as várias colectividades regionalistas que são “o nosso braço direito”.
“A freguesia sempre teve muito valor gastronómico, esteve foi muitos anos por divulgar”, lamentou, contando que “cada vez mais se vê pratos e receitas que já não eram conhecidos”. Relativamente às sopas que também teve ocasião de provar, “estavam muito boas”, garantiu o presidente da junta, defendendo que isso é prova de que “nos pratos regionais há pratos com muita qualidade”. “A sopa sempre foi uma forma de alimentação muito saudável e, hoje em dia, podemos aliar a sua vertente saudável com a vertente economicista”, salientou, reforçando que a Feira das Sopas e Doces serve para promover essa mesma ideia.
Já o presidente da Câmara Municipal de Arganil, contando que esta iniciativa é “uma tradição na freguesia e já começa a ser um evento gastronómico marcante no nosso concelho”, lembrou que a autarquia disponibiliza-se para apoiar “tudo o que sejam iniciativas que promovam a gastronomia, os produtos endógenos, e que tragam gente ao concelho”. “A Feira das Freguesias é o expoente máximo da promoção da gastronomia”, revelou Ricardo Pereira Alves, anunciando que nos próximos dias 12, 13 e 14 de Junho vai decorrer a 4ª edição deste certame, que é “um evento que já entrou no coração dos arganilenses”, despertando a atenção, não só dos munícipes mas de outros visitantes.
É de salientar que este ano, para além do habitual Concurso Gastronómico, “também teremos um encontro de Confrarias da região”, adiantou o autarca, acrescentando que vai realizar-se neste âmbito um colóquio subordinado ao tema “O papel da gastronomia no desenvolvimento turístico”. Fazendo votos para que esta edição seja “um grande sucesso”, o presidente da Câmara de Arganil conta com a presença das 18 freguesias do concelho, tal como todos os grupos folclóricos, filarmónicas e tunas.
“A gastronomia é um produto turístico fundamental”, advogou o edil, alegando que é necessário investir também “na qualificação dos recursos humanos nessa área” para que “o nosso concelho possa proporcionar uma oferta diversificada e de qualidade, seja em termos de animação, restauração e alojamento”. Destacando que a freguesia de São Martinho da Cortiça é “dinâmica”, Ricardo Alves enalteceu que “tem havido um trabalho de grande actividade por parte da própria junta de freguesia e do movimento associativo”.

Lurdes Gonçalves
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