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Feira das Sopas e Doces animou São Martinho da Cortiça
EVENTOS - segunda-feira, 19 de Maio de 2008 14:36
( http://rca )
Várias foram as pessoas que se deslocaram ontem a São Martinho da Cortiça, freguesia do concelho de Arganil, para participar na VI edição da Feira de Sopas e Doces, iniciativa organizada pela Associação Juvenil Projecto Radical, e que contou com o apoio da junta de freguesia, Câmara Municipal de Arganil, IPJ e Grupo Desportivo de São Martinho da Cortiça. Á semelhança dos anos anteriores, estiveram representadas neste evento seis colectividades da freguesia, responsáveis pela confecção das sopas e doces tradicionais, registando-se a participação, pela primeira vez este ano, da União Recreativa do Mucelão. A tradicional “Sopa da Pedra”, a “Sopa à Lavrador”, “Sopa da Pá”, “Sopa de Rabo de Boi”, “Sopa de Grão de Bico” e “Sopa de Peixe” foram degustadas pelos visitantes, que tiveram também à disposição vários doces dos quais se destacaram a tigelada, o arroz doce, pudins, tartes, entre outros.
O objectivo, para além de promover o convívio, foi permitir a angariação de receitas que reverteram a favor das colectividades presentes que pretendem concluir algumas obras nas várias localidades das aldeias da freguesia, sendo que a Associação Juvenil ficou com a exploração do bar para fazer face às despesas inerentes a este evento. Refira-se que participaram nesta iniciativa a Associação de Desenvolvimento e Cultural das Fronhas, o Clube Recreativo da Sobreira, a Comissão de Melhoramentos da Cortiça, a Liga de Amigos das Pombeiras, a União Recreativa e Cultural da Urgueira e a União Recreativa de Mucelão. A organização preparou ainda uma tarde musical que contou com a participação da Tuna de São Martinho da Cortiça e do grupo “Bota Vinho”.
Em declarações ao RCA NOTICIAS, a presidente de direcção da Associação Juvenil Projecto Radical contou que esta Feira de Sopas e Doces decorreu de acordo com as expectativas, alegando que, para além das pessoas da freguesia, deslocaram-se a São Martinho da Cortiça “pessoas de fora que vieram descobrir o que era esta feira”. Realçando que este ano houve a adesão de mais uma colectividade do Mucelão, Regina Pinto recordou que inicialmente esta feira realizou-se noutros moldes. “Havia apenas uma tasquinha a servir as sopas e eram confeccionadas com recurso a algumas pessoas da freguesia que se lembravam das sopas tradicionais”, referiu, acrescentando que posteriormente a organização começou a convidar as colectividades da freguesia e “cada uma delas é responsável pela confecção das sopas e doces”.
De acordo com a dirigente da Associação Juvenil de São Martinho da Cortiça, a participação das colectividades é uma forma de “envolver mais as populações locais e de trazê-las à feira”, possibilitando-lhes, simultaneamente, angariar algum dinheiro para fazer face às obras que têm a decorrer. Regina Pinto disse ainda ao RCA NOTICIAS que, para além das sopas e doces, os visitantes podem encontrar neste evento “boa disposição, muita animação e acima de tudo um dia muito bem passado”. “Para já esta iniciativa vai continuar nos mesmos moldes mas novas ideias poderão surgir”, adiantou, enaltecendo ainda que este ano decorreu um concurso de sopas no final do dia, de forma a eleger a melhor sopa, ou seja, aquela que foi mais vendida. A presidente da Associação Juvenil anunciou ainda que a próxima iniciativa organizada pela Tuna da Associação Juvenil Projecto Radical são as Noites do Adro, que vão ter lugar no próximo dia 14 de Junho, em frente à Igreja Matriz, realizando-se posteriormente, em Agosto, mais uma edição do S. Martinho Trophy, uma actividade de desportos radicais.
Em declarações ao RCA NOTICIAS esteve ainda António Silva, um dos representantes da União Recreativa do Mucelão, colectividade que participou este ano pela primeira vez na Feira de Sopas e Doces, que nos contou que as especialidades desta aldeia são a sopa da pá, as queijadinhas, o bolo à presidente, a tigelada e o pudim de ovos, iguarias que foram confeccionadas pelos próprios habitantes da povoação do Mucelão, com a particularidade da sopa ter tido a ajuda do grupo “Bota Vinho”. Embora não querendo revelar os segredos da receita da sopa da pá, António Silva explicou que alguns dos seus ingredientes são “o presunto, a couve galega, o feijão e a batata”. “Se as coisas corerrem bem pensamos estar cá uma próxima iniciativa”, garantiu, afirmando que o dinheiro angariado se destina às obras necessárias na Casa de Convívio da União Recreativa do Mucelão.
Já o presidente da junta de freguesia de São Martinho da Cortiça contou ao RCA NOTICIAS que esta Feira das Sopas e Doces “está-se a enraizar cada vez mais”, defendendo que é necessário “continuar a cimentar estes hábitos e costumes para que não se percam estas receitas de sopas mais antigas que não se usam todos os dias na nossa casa e que as pessoas gostam”. De acordo com Rui Franco, as sopas que mais se identificam com os costumes da freguesia são a “Sopa do Lavrador” e a “Sopa de Grão de Bico”, considerada a “sopa dos casamentos” antigamente. Tendo em conta o aumento do número de colectividades interessadas em participar nesta iniciativa, o presidente da junta admitiu que “dentro de poucos anos vamos ter todas as aldeias da freguesia representadas nesta mostra gastronómica”.
“Só com a união de esforços é que se consegue unir as pessoas, trazê-las das aldeias à sede da freguesia”, defendeu Rui Franco, revelando ao RCA NOTICIAS que já existem boas expectativas para a concentração motard que vai decorrer em São Martinho da Cortiça nos próximos dias 7 e 8 de Junho. Segundo o presidente da junta, “é um dos eventos que marca os hábitos de São Martinho”, tendo como ponto alto o passeio das tochas que se realiza no sábado à noite e que parte de São Martinho da Cortiça até Arganil. Em relação às obras nesta freguesia, Rui Franco lamentou o facto da freguesia ter estado “congelada durante algumas décadas”, uma vez que “houve desinvestimento total por parte dos executivos”. “Actualmente está a fazer-se um pouco de justiça”, considerou, destacando que São Martinho da Cortiça ainda possui uma “rede viária que está degradada” e, para além disso, “precisamos de muitas obras”.
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